Sindicato de Funerárias prevê trauma por famílias não poderem velar e sepultar corpos

03 de Abril de 2020
Sindicato de Funerárias prevê trauma por famílias não poderem velar e sepultar corpos
As normas e protocolos das entidades de saúde a respeito do manejo de corpos infectados pelo novo coronavírus fazem o Sindicato das Empresas Funerárias da Bahia (Sindef-BA) prever um grande trauma. Entre as recomendações, está a de envio direto para o sepultamento ou cremação, sem cerimônias e velório. Carlos Brandão de Melo, presidente do Sindef-BA, acredita que se o Brasil e a Bahia repetirem o padrão de mortes de outros locais do mundo, o Estado vai enfrentar problemas com espaços em cemitérios públicos.   "Em Pernambuco tem um cemitério público com mais de 300 sepulturas preparadas, mas de antemão como não há casos sequenciais de óbito no dia, eles ainda estão dando a família a liberdade de escolha", exemplificou Brandão. Ele acredita que esse pode ser um modelo adotado pela Bahia, mas ressalta os impactos disso nas famílias: "privar a família do velório já é um trauma muito grande. E privar a família de escolher onde sepultar seu ente querido, aí é pior ainda".   Nesse sentido, o sindicato acredita que a saída seja o governo baiano se adiantar e tomar medidas. "Pode ser um problema pela falta de vagas em cemitérios públicos, mas quem vai ter que se virar é o estado. Ou vai ter que desapropriar uma área, se acontecer um número grande de óbitos, ou vai requerer da iniciativa privada através de decreto", disse Carlos Brandão.    Ao observar o aumento de demanda do setor funerário no mundo devido ao novo coronavírus, o Sindicato das Empresas Funerárias da Bahia tem feito reuniões e se preparado para a possibilidade do mesmo ocorrer no estado desde meados de fevereiro. Carlos Brandão assegura que o setor está preparado para um possível aumento de demanda, principalmente os estabelecimentos do interior do estado.   Uma das recomendações de destinação dos corpos, a cremação, será difícil de realizar na Bahia. Isso porque apenas a capital e Alagoinhas possuem estabelecimentos que prestam este tipo de serviço. "Salvador, a terceira maior capital do país, só tem três crematórios. E nós temos um crematório novo em Alagoinhas, que provavelmente vai ser válvula de escape. No restante do estado não tem crematório", pontuou Carlos Brandão.    Os protocolos foram passados pela Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) ao setor funerário em uma reunião nesta quarta (1º). "Recebemos uma norma para ser aplicada em casos de óbitos suspeitos ou confirmado de Covid-19. Na verdade eles atenderam uma solicitação nossa. A gente também sugeriu a adição de alguns outros protocolos de manejo", disse o presidente do Sindicato das Empresas Funerárias da Bahia. Entre as orientações, está a de utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pelos agentes funerários, lacração de caixões, protocolo de como os corpos devem ser liberados para as funerárias, etc (leia mais aqui).   Carlos Brandão destaca que as funerárias que têm mais estrutura e mais preparo, tanto de EPIs quanto de profissionais capacitados, veículos adaptados, estão no interior. "Salvador hoje posso lhe afirmar que preparado para dar conta de um aumento significativo de demanda tem 30% das empresas", alertou. 
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