Renúncia de Haddad é o melhor remédio para democracia, avalia constitucionalista

Postado dia 11 de Outubro de 2018
Renúncia de Haddad é o melhor remédio para democracia, avalia constitucionalista
A solução apresentada pela senadora Kátia Abreu (PDT) para manter a democracia brasileira pode ser a melhor no momento, de acordo com o professor de direito constitucional, Marcus Sampaio. Na condição de candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes, Kátia Abreu pediu ao candidato pelo PT, Fernando Haddad, que renuncie e, assim, permita que o pedetista concorra o segundo turno das eleições com o candidato do PSL, Jair Bolsonaro.   O constitucionalista confirma que a possibilidade de renuncia e participação de Ciro Gomes no segundo turno está na Constituição Federal, no artigo 77. "Se as forças de esquerda dizem que precisam derrotar o candidato Bolsonaro, este é o caminho mais viável para a derrota do candidato, tendo em vista que o Ciro, conforme indicam as pesquisas, é o que teria condição de vencê-lo no segundo turno", avalia. Para ele, uma renuncia de Haddad "seria uma demonstração que verdadeiramente tem preocupação com o país e não com sua própria candidatura". "É de uma maturidade institucional de se reconhecer que, verdadeiramente, o interesse partidário, estaria em segundo plano diante de um plano que é servir o país, e seria uma alternativa viável para aqueles que não querem de forma nenhuma a eleição de Bolsonaro", pondera. A renúncia de uma segunda colocação para favorecer o terceiro colocado em uma eleição nunca aconteceu no Brasil. Seria um fato inédito, conforme diz o professor.   Todo esse desgaste democrático que o Brasil vem sofrendo nos últimos tempos poderia ser evitado se a proposta do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT) fosse aceita. O senador eleito sugeriu que o PT saísse como candidato a vice-presidente em uma chapa encabeçada por Ciro Gomes, como candidato a presidente. "O ex-governador e agora senador é um homem preparado, inteligente, sobretudo, comedido. A opinião dele estava correta. Não viveriamos esse antagonismo que estamos vivendo hoje e teríamos um futuro muito melhor para democracia e para o Brasil", explana Marcus Sampaio.   Para ele, há um remédio para se evitar retrocessos, e esse remédio é "a união das forças democráticas do país". "Mas isso parece não estar existindo por interesse das próprias forças. Isso se mostrou ao longo do primeiro turno e mais uma vez vem se mostrando no segundo. A senadora Kátia Abreu apresentou uma sugestão possível e constitucional, e precisava ser analisada com profundidade. Afinal de contas, qual é o interesse? É fazer que um opositor ganhe do Bolsonaro, ou tentar ganhar a qualquer custo? É preciso abrir mão da vaidade, é preciso ter humildade que a democracia impõe nesse momento", pontua.   O especialista refuta a possibilidade do país sofrer um golpe militar com a eventual eleição de Jair Bolsonaro. "A comunidade internacional não permitiria. Esse discurso é um pouco superficial que tem se utilizado na campanha politica e que não faz nenhum sentido", declara.  "Nós precisamos ter um pouco mais de maturidade nessa disputa política. Estamos olhando a eleição e nos perguntando se aqui vai virar uma Venezuela ou uma Alemanha nazista. Não vai virar nenhum nem outro", sinaliza. Marcus Sampaio defende, sobretudo, o diálogo entre quem ganha e perde. "Em todas democracias do mundo inteiro é assim: o que ganha, convida o que perdeu para conversar, negociar pontos. A democracia não é o governo de quem ganhou a eleição. A democracia é um governo de todos para todos. Dos que ganharam e perderam", frisa.
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