'Problema da Baía não é particularmente o coral-sol', diz bióloga após investigação do MP

Postado dia 12 de Setembro de 2019
'Problema da Baía não é particularmente o coral-sol', diz bióloga após investigação do MP
A 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Itaparica instaurou um inquérito civil para apurar o risco de invasão do coral-sol na Baía de Todos-os-Santos (BTS) pela plataforma de petróleo OOS Gretha. A denúncia, feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela organização Pró-Mar, acusa a embarcação de estar com o casco infestado pela espécie marinha, que ofereceria riscos de reprodução no ecossistema da região. Mas, apesar dos indicativos apresentados, segundo a bióloga Elizabeth Neves, o coral-sol não é o maior dos problemas e não há fundamento para considerá-lo um vilão.   De acordo com ela, a maior problemática da BTS seria a convergência de impactos, a exemplo do "despejo in natura de esgotos, um grande aporte de contaminantes químicos e a concentração de chumbo no fundo da Baía".    Elizabeth explicou ainda que os corais em questão são conhecidos por aqui desde 2008, quando mergulhadores começaram a observar a presença dos mesmos em um naufrágio conhecido como Cavo Artemidi. "Quando entrou a outra plataforma, a P-27, que também mobilizou muito a opinião pública, esses corais já estavam e equivocadamente houve toda uma concentração de esforços dentro de um portocolo - que eu inúmeras vezes questionei - de quebrar as colônias, remover as colônias com martelo e ponteira", apontou a pesquisadora. A ação teria aumentado a quantidade desta espécie em alguns locais.    Na época da autuação da OOS Gretha, em maio deste ano, nenhum parecer técnico oficial favorável e nenhuma licença expedida pela autoridade oficial competente foi apresentada. Conforme informou o Ministério do Meio Ambiente (MMA), uma multa de R$ 996 mil foi aplicada à embarcação.    Segundo o estudioso José Carlos Barbosa, da Pró-Mar, o coral-sol não oferece riscos, mas é um bio invasor que precisa de um trabalho de monitoramento e controle, e que, no caso da plataforma autuada, apenas um laudo de que o casco estava limpo foi apresentado.    "O que aconteceu com a plataforma foi que ela veio para a Baía de Todos-os-Santos e foi apresentado um laudo de que estava com o casco limpo e de que não havia coral-sol. Resultou que o Ibama, a Marinha e a Polícia Federal foram lá, identificaram a presença do coral e autuaram a plataforma e a empresa que disse ter limpado", ressaltou José Carlos.   A informação, entretanto, foi questionada pela bióloga. Ela justifica que há dois tipos de coral-sol. Uma delas, observada aqui, não confere com a que estava "infestando" o casco do navio petroleiro. Ela disse ainda que analisou as colônias quando a embarcação esteve na BTS.    Neves defende que há registros da presença da espécie no litoral brasileiro desde a década de 1980 e que nunca foi identificada a exclusão de espécies nativas por conta do coral-sol. "Muitas coisas estão sendo atribuídas ao coral-sol, mas não temos uma métrica sobre os impactos. O que eu sei é que nenhuma espécie foi excluída", concluiu.   Atualmente, a OSS Gretha está em Curaçao, no Caribe.
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