07 de Dezembro de 2021

Fernando Guerreiro acredita em uma conciliação para votação do Plano de Cultura

Presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), o diretor teatral Fernando Guerreiro ainda considera um entendimento conciliatório para que o Plano Municipal de Cultura de Salvador seja votado na Câmara de Vereadores nos termos que foi submetido ao Legislativo.
 
Empacada por falta de acordo entre parlamentares de oposição e membros da bancada cristã que contestam a presença do termo LGBTQIA+, a proposição versa sobre o planejamento das políticas culturais da capital baiana pelos próximos dez anos.
 
à imprensa, Guerreiro disse acreditar na legitimidade da contestação dos edis cristãos, que em um primeiro momento haviam consentido com a existência da diversidade no plano, mas que, momentos antes da votação, voltaram atrás no acordo (relembre aqui). Contudo, segundo o presidente da FGM, o debate feito pela bancada não segue o entendimento de "cultura LGBTQIA+", mas do termo apenas como uma orientação sexual. 
 
"A gente não está discutindo orientação sexual. Estamos discutindo uma cultura, como existe a evangélica, a hip-hop, a cultura afro, a cultura rock. Ou seja, essa é a grande confusão: o não reconhecimento desta cultura, que, inclusive, é uma discussão delicada porque isso é recente", explanou o presidente da FGM.
 
Guerreiro foi um dos agentes culturais envolvidos no plano e que estiveram presentes na reunião que antecedeu a sessão em que vereadores foram até a tribuna da Casa e falaram publicamente sobre suas objeções à proposição (veja aqui). O encontro durou mais de quatro horas.
 
De acordo com ele, um diálogo em busca de um "meio termo" foi a alternativa pautada na oportunidade. O caminho traçado pelo acordo, na sua avaliação, foi definido pensando na inclusão e nas ações de reparação já tocadas pela prefeitura e por outras gestões. "Juntando as duas coisas, eu acredito que é um movimento irreversível. A sociedade não tem mais como voltar atrás nessas questões de reparação e nas novidades culturais", acrescentou Guerreiro.
 
"É importante destacar que essa é a posição de alguns vereadores. A gente não tem isso como um consenso. Vários vereadores estão dispostos ao diálogo, o próprio presidente Geraldo Júnior tem sido muito importante nesse processo, tem ajudado nessa costura, como Silvio Humberto [relator do plano], como Ricardo Almeida, que é da bancada cristã e tem sido muito flexível", destacou Guerreiro.
 
Quatro audiências públicas, 600 sugestões da sociedade civil, três anos de tramitação em instâncias consultivas e deliberativas, como o gabinete do prefeito, a Procuradoria Geral do Município e por comissões da Câmara, compõem o arcabouço de discussões do Plano Municipal de Cultura. Se aprovada, a proposição deve ser a primeira a nortear as ações do Poder Público no âmbito municipal.
 
Para o presidente da Fundação Gregório de Mattos, o poder de decisão agora é dos representantes da sociedade civil, os vereadores. "Esse plano é muito importante para a cidade de Salvador. Ele envolve o esforço de muita gente, é um trabalho cansativo, é exaustivo. Precisamos aprovar este plano e a decisão está agora na Câmara de Vereadores". 


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