Feira de Santana: 'Comércio não é culpado pelo aumento de casos', diz presidente da CDL

06 de Julho de 2020
Feira de Santana: 'Comércio não é culpado pelo aumento de casos', diz presidente da CDL
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Luiz Mercês disse que não acredita que o aumento do número de infectados pela Covid-19 em Feira de Santana esteja diretamente relacionado com o comércio. Ele comentou também sobre o novo decreto do prefeito Colbert Martins (MDB), anunciado neste domingo (5), que determina o fechamento do comércio a partir desta terça-feira (7) até o dia 14 de julho.
 
Luiz Mercês relatou que está muito preocupado com a situação da economia e, na opinião dele, é preciso cuidar da saúde e cuidar também da economia. Segundo ele, o fechamento do comércio impacta na geração de empregos e na sustentabilidade das famílias dos trabalhadores. As informações são do portal Acorda Cidade.
 
"Todas as lojas estão tomando todas as precauções e não temos históricos de infecções em farmácias, supermercados, porque as pessoas estão se precavendo. Mas as pessoas que não estão trabalhando, estão em babas de futebol, aglomeração em diversos lugares, andando em diversos lugares, fazendo festas em diversos lugares. E a atividade comercial fechada, ela só serve para dizimar empregos", avaliou Mercês.
 
"Acho que o prefeito está fazendo a coisa certa, porque ele é médico, mas ele precisa olhar para a economia, porque nós vamos ter o amanhã e esse amanhã sem empregos, sem renda é muito triste", completou o líder lojista.
 
Para o empresário, é preciso que se encontre uma forma equilibrada para lidar com a situação, sem a necessidade de fechar o comércio e de comprometer os empregos. Ele relatou que teme que a situação de crise de assemelhe à crise vivida pela Venezuela e destacou que é preciso que a população faça a sua parte, só vá até o comércio se houver necessidade e procure se proteger, usando máscaras e cuidando da higienização.
 
Luiz Mercês destacou que as lojas têm seguido à risca os protocolos de higienização com o objetivo de oferecer segurança aos clientes e deu o exemplo do Shopping Boulevard, que, de acordo com ele, buscou seguir protocolos científicos como o do Hospital Sírio Libanês, para reabrir e evitar a contaminação pela Covid-19.
 
"Não está certo colocar a culpa no comércio e fechá-lo. Pois estamos tomando todas as precauções. A minha preocupação é com o dia de amanhã e não estou com isso deixando de me preocupar com a saúde. Mas, a gente se preocupa com o todo e nós não podemos esquecer a economia", defendeu Mercês. 
 
"Você entra em qualquer loja e existem todos os cuidados. No shopping, tem medição de temperatura, não tem aglomeração e tem regras. Agora nos bairros, ônibus, tudo isso tem aglomeração. Mas não é no comércio. Hoje, o comércio está funcionando com 20% da sua capacidade. O movimento está muito baixo, ninguém está fazendo campanha de vendas, de promoção, que pode levar aglomeração. As lojas acima de 200 metros estão fechadas. As pessoas estão olhando o hoje e esquecem do amanhã. A gente tem que ficar vivo, mas para a gente ficar vivo tem que tomar cuidado", comentou o dirigente lojista.
 
O presidente da CDL observou que o fechamento do comércio reflete no fechamento das indústrias, fechamento dos fornecedores da indústria e, consequentemente, na diminuição da arrecadação do governo. Sem arrecadação, segundo ele, não haveria como manter os leitos de hospital, o pagamento dos salários dos aposentados e outros serviços públicos.
 
"A gente tem que chamar a atenção, mas quando chamamos atenção, a sociedade coloca como se fôssemos inimigos da saúde. Isso está errado, eu acho que defender emprego é ser amigo da população, é ser amigo do todo. As pessoas estão colocando como se abrir o comércio fosse o problema. Mas não é. A solução é manter emprego e renda e ambientes higienizados. As pessoas que estão cobrando do prefeito o fechamento do comércio não estão pensando no dia de amanhã", afirmou o presidente da CDL.
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