Ernesto troca reunião de Venezuela por encontro sobre liberdade religiosa com Trump

Postado dia 23 de Setembro de 2019
Ernesto troca reunião de Venezuela por encontro sobre liberdade religiosa com Trump
O chanceler Ernesto Araújo mudou a agenda de última hora nesta segunda-feira (23) e trocou uma reunião do Grupo de Lima, que trataria da crise da Venezuela, por um encontro sobre liberdade religiosa com a presença do presidente dos EUA, Donald Trump. Araújo estava escalado para representar o Brasil às 11h na Sala de Conferência 5 da ONU, onde debateria com integrantes dos outros 14 países que formam o bloco saídas para resolver a crise que assola a Venezuela sob regime de Nicolás Maduro. Pouco antes do horário marcado, porém, Araújo entrou na Sala de Conferência 8, praticamente em frente àquela em que estava acontecendo o encontro do Grupo de Lima, e, de lá, acompanhou o discurso de Trump sobre religião. "Os EUA são fundados nos princípios de que nossos direitos não vêm do governo, eles vêm de Deus", afirmou o americano ao lado do vice, Mike Pence, e do secretário de Estado, Mike Pompeo. Trinta minutos após a chegada de Trump ao encontro denominado "Chamada global para a proteção da liberdade religiosa", o Itamaraty divulgou a atualização da agenda de Ernesto. Segundo integrantes da comitiva brasileira, houve uma divisão de tarefas -o secretário responsável por Américas, Pedro Miguel, participou da reunião do Grupo de Lima no lugar de Ernesto-, visto que a liberdade religiosa é considerada um tema importante para o governo Bolsonaro. Sobre o encontro do Grupo de Lima, por sua vez, o Planalto não tinha grandes expectativas. Ainda nesta segunda, Ernesto vai participar de outra reunião sobre Venezuela, para ver se o TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) será acionado. No limite, ele poderia autorizar uma intervenção militar na Venezuela, apesar de o governo brasileiro já ter declarado que se opõe a esse ponto.  Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, a Aliança Internacional para Liberdade Religiosa foi um dos principais assuntos do encontro do chanceler com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, há duas semanas, em Washington. Os Estados Unidos apostam na aliança como um dos pilares de sua política externa, e o Brasil deve ser um dos membros fundadores do órgão. A cooperação na ofensiva contra discriminação religiosa no mundo é considerada ponto-chave da parceria estratégica entre os dois países. A iniciativa visa a defender todas as religiões, mas o tema foi abraçado especialmente por evangélicos e católicos mais atuantes.
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