Editora Globo anuncia saída de Daniela Falcão cerca de um mês após acusações de assédio

17 de Outubro de 2020
Editora Globo anuncia saída de Daniela Falcão cerca de um mês após acusações de assédio
Após mais ou menos um mês e meio da divulgação de denúncias de assédio moral contra a jornalista baiana Daniela Falcão, CEO da Edições Globo Condé Nast, a Editora Globo anunciou o fim do contrato de trabalho. Em comunicado enviado nesta sexta-feira (16), o grupo informa que a decisão foi tomada em comum acordo entre Globo, Condé Nast e Daniela "para a realização de um desejo antigo de se dedicar a consultoria e a projetos pessoais".

 
As acusações de assédio vieram à tona por meio de uma reportagem do Buzzfeed, publicada no final de agosto. O texto narrou um histórico de 15 anos de agressões por parte da jornalista nas redações de revistas de moda onde trabalhou. Antes de assumir a diretoria-geral da joint venture, Daniela foi editora-chefe da Vogue Brasil e diversos ex-funcionários das empresas denunciaram à publicação. Uma das fontes foi a jornalista Mônica Salgado, uma das criadoras da Glamour. De acordo com ela, que deixou a revista em 2017, as denúncias ao setor de recursos humanos eram inúteis porque nenhuma medida era adotada (saiba mais aqui). Ao contrário, a carreira de Daniela só cresceu na empresa.
 
Mas com a exposição dos casos, ela vai deixar a Condé Nast após 10 anos de trabalho. Antes disso, a baiana vai trabalhar na transição e planejamento para 2021. "Daniela foi uma das primeiras pessoas a aceitar meu convite para fazer parte da EGCN, joint venture entre Editora Globo e Condé Nast, criada em 2010 com o intuito de não somente amplificar o alcance e a relevância dos produtos que já existiam àquela altura (Vogue e Casa Vogue), mas também lançar novas marcas do portfólio deste parceiro no mercado brasileiro. Na ocasião, Dani juntou-se à EGCN como diretora de Redação da Vogue, cargo que já ocupava na empresa que anteriormente editava a revista", diz um trecho do comunicado assinado por Frederick Kachar, diretor-geral da Editora Globo. O texto foi compartilhado na íntegra pela coluna de Leo Dias, no portal Metrópoles, parceiro do BN.
 
"Depois de um ano como diretora editorial da empresa, a partir de 2017, Daniela assumiu a direção geral da EGCN. Destaco, neste período, a notável evolução na qualidade editorial de todos os produtos do nosso portfólio, além de uma maior disseminação da cultura digital nas equipes editorial e comercial. Nossas audiências em todos os demais produtos seguiram crescendo, assim como as receitas digitais", acrescenta Kachar, em outro trecho. Ele diz ainda que, em breve, o grupo anunciará mais detalhes sobre a estrutura da empresa. As acusações de assédio, no entanto, não foram mencionadas.
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