Crise no Chile que ameaça Libertadores uniu até desafetos Vidal e Bravo

Postado dia 05 de Novembro de 2019
Crise no Chile que ameaça Libertadores uniu até desafetos Vidal e Bravo
A grave crise política do Chile, que pode tirar a final da Copa Libertadores de Santiago, gerou mobilização dos nomes mais famosos do país, inclusive os ídolos do futebol. Desafetos desde a decepcionante participação da seleção chilena nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, quando a Roja sequer se classificou ao Mundial, o meia Arturo Vidal, do Barcelona, e o goleiro Claudio Bravo, do Manchester CIty, se uniram ao seu povo e usam as redes sociais para defender as reivindicações da população. Os dois jogadores, símbolos de liderança da vitoriosa geração que conquistou as Copas Américas de 2015 e 2016, tomaram à frente para apoiar os protestos que levaram milhares de pessoas às ruas do país sul-americano. O movimento popular, inflamado pelo de aumento das passagens de metrô de 800 para 830 pesos chilenos (de R$ 4,50 para R$ 4,67, aproximadamente) no horário de pico, tomou Santiago para cobrar maior igualdade social. Bravo, na Inglaterra, e Vidal, na Espanha, se aproximaram dos manifestantes. A briga da população contra medidas do presidente Sebastián Piñera se sobrepõe a qualquer birra pessoal entre os dois. É comum ver a dupla apoiar as manifestações que hoje ameaçam a realização da final da Copa Libertadores no próximo dia 23. O goleiro se mostra mais ativo neste quesito. "Privatizaram nossa água, luz, gás, educação, saúde, aposentadoria, medicamentos, nossos caminhos, bosques, o Salar do Atacama, os glaciais e o transporte. Algo mais? Não será muito. Não queremos um Chile de alguns, queremos um Chile de todos", escreveu Bravo quando as manifestações tomaram grandes proporções. "Este é o nosso Chile, que caminha junto, que não tem medo, que se ama pelo bem comum e que não discrimina condição social. É o Chile que levanta sua bandeira pelos seus direitos, que transforma a palavra guerra em união e amor. Escutem seus latidos", acrescentou dias depois, especialmente após o presidente chileno declarar que o país estava em "guerra" em virtude do movimento da população. Vidal não ficou atrás. "Avante, meu Chile querido. Os políticos têm que escutar o povo quando fazemos sentir. As pessoas estão mal e estamos dizendo basta! Que a gente siga se manifestando pacificamente, sem violência ou saques. Sem danos! Rezo para que o meu Chile melhore. Políticos, escutem o povo de uma vez. Queremos soluções já. Abraços em todos os chilenos", manifestou o atleta do Barça. Vidal e Bravo cortaram relações publicamente pós-vexame nas eliminatórias. A mulher do goleiro de 36 anos reclamou do desempenho do elenco depois da derrota para o Brasil, que culminou na eliminação chilena. Carla Pardo Liziana acusou atletas de falta de comprometimento durante o qualificatório para a Rússia. Os dois permaneceram mais de um ano sem se encontrarem na seleção. Na janela da Fifa de jogos de outubro, porém, Reinaldo Rueda convocou os dois. Vidal, mesmo diante do goleiro, admitiu os problemas ao jornal 'El Mercurio'. "Um dos dois deveria dar o passo à frente, mas este não era eu. Por isso, não criei problemas. Cada um treinou de forma individual. Sei que ele deu tudo e eu também, e o time vai assim. Não somos e nem seremos amigos, mas a seleção aqui é o mais importante", afirmou o volante, que se mostrou incomodado com declarações do próprio goleiro. "[Bravo] disse coisas e não tenho motivos para dizer à imprensa. Sou bastante homem para dizê-las na cara. Ali acabou, disse minha forma de pensar e pronto. Não sei se ele entendeu, porque desde então nunca mais falamos", acrescentou Vidal sobre o goleiro, hoje uma das vozes mais fortes do futebol contra o governo chileno.
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