Comitê Científico recomenda manutenção do isolamento na Bahia, mas afasta lockdown

02 de Junho de 2020
Comitê Científico recomenda manutenção do isolamento na Bahia, mas afasta lockdown
Um boletim publicado pelo Comitê Científico do Consórcio Nordeste nesta segunda-feira (1) fez um alerta aos estados membros, incluindo a Bahia, para a manutenção das medidas de isolamento social que vem sendo aplicadas como forma de enfrentamento à proliferação da Covid-19 na região. Descartou, no entanto, momentaneamente, a necessidade de implementação de lockdown total no território baiano. O documento destaca a ocorrência de uma "leve diminuição no ritmo de crescimento de casos confirmados e de óbitos em algumas localidades do Nordeste", mas alerta que nenhuma dos estados alcançou, até o momento, o pico da doença. "O relaxamento das medidas em 1º de junho poderá acarretar um aumento de 200 mil casos da doença e 7,5 mil óbitos adicionais no final do mês", pontua. No caso da Bahia, o documento afirma que, em comparação a análise anterior, a pandemia continua a evoluir e a capital baiana permanece no "limiar estabelecido pelo Comitê para a implementação do lockdown total", considerando o crescimento de 117% no número de casos em duas semanas. O documento chama atenção também para a evolução da Covid-19 nas cidades de Feira de Santana, Itabuna, Vitória da Conquista e Juazeiro.   Na última quarta-feira (27), o governador Rui Costa (PT), que preside o Consórcio do Nordeste, durante uma transmissão online em suas redes sociais, celebrou uma espécie de "estagnação" na taxa de casos ativos da Covid-19 no estado. Na ocasião, chegou a afirma que a Bahia alcançava o nível de platô e que a manutenção da média criaria a possibilidade de iniciar uma projeção de retorno á normalidade (leia aqui).  A "estagnação" apontada por Rui foi anunciada após a determinação de antecipação dos feriados de São João e Dois de Julho para todo o território baiano. Salvador e mais oito cidades também realizaram outras medidas de restrição mais rígidas, como antecipação de feriados municipais e decretos que permitiram abertura exclusiva de serviços essenciais. As medidas permaneceram vigentes entre os dias 25 e 29 de maio (leia aqui).  Na quinta-feira (28), Rui anunciou a criação de uma comissão, tendo como parte o secretário da Administração estadual e integrantes das federações do Comércio, Indústria e Agricultura, com o objetivo de discutir o retorno da atividade empresarial, juntamente com adoção de protocolos de segurança (leia aqui).  De acordo com o boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (Sesab) nesta terça-feira, o estado possui 21.430 casos da doença e 736 óbitos por complicações. Os números revelam um acréscimo de 2.532 novas ocorrências da doença. De acordo com a pasta, o número expressivo é resultado do "lançamento, por parte dos municípios, das notificações positivas por testes rápidos que foram acumulados nas últimas semanas".  No documento, o Comitê Científico afirma que "tem clareza sobre as enormes dificuldades e os prejuízos econômicos causados aos estados, municípios e à sociedade como um todo pela manutenção de longos períodos de isolamento social. Os efeitos são ainda mais danosos para os trabalhadores de baixa renda dos setores de serviços não essenciais.", diz o documento.  E acrescenta: "Entretanto, este Comitê continua mantendo a posição de que ainda não é o momento propício de flexibilizar as medidas de isolamento social, uma vez que o pico da epidemia do Covid-19 não foi atingido em nenhum estado da região Nordeste".  O Comitê chama ainda atenção para o fato de, apesar da leve queda geral, é possível notar que, "nos estados, o número de casos novos continuam dobrando num período entre 5 e 9 dias, enquanto os óbitos dobraram entre 7 e 11 dias". Nas capitais, de acordo com o boletim, "tantos os casos como os óbitos continuam dobrando num período entre 7 e 15 dias."
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