'A gente precisa tirar o amor da caixinha do clichê', defende escritor Edgard Abbehusen

30 de Junho de 2020
Baiano da cidade de Muritiba, no Recôncavo, o jornalista e escritor Edgard Abbehusen foi o entrevistado da Live do BN realizada na tarde desta terça-feira (30). Durante o bate-papo com a repórter Mari Leal, ele conversou sobre sua trajetória profissional e pessoal, a paternidade e outros temas sensíveis ao público que o acompanha. Autor de três livros, o muritibano acaba de lançar o seu mais recente escrito "Acredite na sua capacidade de ser e superar". 
 
A inspiração para a escolha do tema que norteia seu mais novo livro, a superação, conta ele, veio do seu percurso de vida. "Na minha história de vida eu assisti muita superação ao meu redor. Tenho uma irmã que sofreu um erro médico ainda criança e vive em estado vegetativo e vejo minha mãe cuidando dela. Meu pai também ficou muito doente e eu via minha mãe cuidando dele. Então quando penso em superação eu lembro da minha mãe, vejo a imagem da minha irmã, que sofreu um erro médico e sobreviveu, teve uma pneumonia muito forte e sobreviveu", revela, acrescentando que as suas experiência como pai de maneira precoce e outras narrativas pessoais também compuseram o processo produtivo.
 
Apesar do momento atual ter uma relação com a obra, a escolha para o nome do livro sugriu antes mesmo da pandemia do novo coronavírus. Pensado inicialmente para ser lançado em abril, o volume teve a data de venda iniciada remarcada e só foi às livrarias no mês de junho. A decisão de lançar, explica ele, se deu justamente pelo entendimento de que as palavras contidas no livro viriam a calhar no momento em questão. "Ele não foi feito para esse momento, por isso eu acho que ele também traz uma perspectiva mais leve", diz. 
 
Orgulhoso de seu nascedouro, Edgard conta que sempre gosta de responder aos que lhe perguntam sobre sua formação acadêmica que é "formado em Muritiba". Segundo ele, é desse lugar que vem sua inspiração e foi nos arredores dele que seu trabalho como escritor teve início, a partir de uma demanda do curso de jornalismo, em 2016. 
 
"Comecei dentro da UFRB, para atender uma demanda acadêmica. A professora Alene Lins quis saber como acontecia essa literatura no Instagram e me perguntou "por que você não faz um perfil para pesquisar e analisar o público?", conta Abbehusen sobre a criação do Fotocitando, o projeto que deu início a tudo e fez com que, sentindo a necessidade de também alcançar novos públicos, o inserisse na carreira literária.
 
De lá para cá, artistas como a sertaneja Marília Mendonça; o ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno; a cantora Solange Almeida e até o Aeroporto Internacional de Salvador já caíram nas graças das palavras de Abbehusen.
 
Ainda sobre a questão pandêmica e as dificuldades que temos passado, Edgard afirma que o amor precisa ser cultivado, sem amarras. "A gente precisa tirar o amor da caixinha do clichê. Colocamos tanto no lugar de clichê que o discurso de ódio tomou conta", ressalta.
 
Sobre as interações dos seguidores e leitores, ele comenta que tem recebido, depois da pandemia da Covid-19, muitas interações vindas de homens, apesar do seu público ser formado em grande parte por mulheres. O conteúdo das interações trazem relatos sobre situações difíceis e sobre questões como a saúde mental. Os fragmentos, diz ele, fazem com que perceba um sentimento de "desesperança" no contexto atual.
 
Como enfrentamento ao que está posto, ele tem realizado lives com profissionais que tragam para o seu público conteúdos que possam ajudar, como psicólogos e terapeutas.
 
Ele conta que a situação pandêmica também tem o afetado. Conforme disse durante o bate-papo, "foi um processo muito curioso". "No início fechou tudo e eu senti o impacto porque eu tinha mudado para Salvador de vez e tava tudo fechado. Na primeira semana tava com a impressão que tava tudo normal, tava conseguindo produzir. Na segunda semana, por eu consumir muita informação, tudo começou a ficar pesado e começou atrapalhar o que eu produzo, além disso eu também comecei a me cobrar muito. No Instagram a gente tem que seguir a "regra do jogo", dei um respiro publicando textos que já estavam prontos, as "cartas para os nomes", acompanhei alguma série qualquer na Netflix e quando voltei estava entregue à essa inspiração", reflete.
 
Figura recorrente em festivais, festas literárias e bienais por todo o país, o escritor tem em mente um novo projeto, o de envio de cartas físicas para seguidores, pelo correio. Com milhares de pessoas inscritas, ele diz que pensa agora no melhor formato para enviar as mensagens aos que mandaram seus endereços - que são milhares, conta rindo. 
 
Há dois dias Edgard se tornou pai pela segunda vez, do pequeno Mateo. Confira a entrevista completa:
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