Acesso a documentos da ditadura 'é coisa pra inglês ver', diz coordenador da CNV na Bahia

Postado dia 16 de Maio de 2018
Acesso a documentos da ditadura 'é coisa pra inglês ver', diz coordenador da CNV na Bahia
Para o coordenador da Comissão Nacional da Verdade na Bahia, o jornalista Carlos Navarro, toda a movimentação do governo federal em prol da divulgação de informações produzidas pela CIA sobre a ditadura brasileira não terão eficácia prática. Após a divulgação de um relatório que expunha ações do ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979), o Ministério das Relações Exteriores pediu acesso aos demais dados que estão com a agência americana (veja aqui). Segundo Navarro, a comissão teve acesso a apenas 14% ou 15% de todo esse material, pois o restante chegou apenas após a conclusão dos trabalhos do grupo, em dezembro de 2014. "Esse negócio de pedir para o governo americano mandar documentos é coisa pra inglês ver porque não vai acontecer nada. Podem até formalizar o pedido, mas não vai acontecer nada", ressalta, ponderando que ainda não conversou sobre o assunto com membros da comissão nacional. Cético quanto às eventuais repercussões do documento divulgado, o jornalista também não acredita que os pedidos para que o Supremo Tribunal Federal (STF) revise a Lei da Anistia sejam atendidos. Ex-integrantes da comissão pediram uma audiência com a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, para tratar do assunto. "Ainda mais agora, com a pressão que os militares estão fazendo. Além do Bolsonaro, toda essa movimentação pregando golpe", pontua. O coordenador acredita que o STF pode até "jogar pra plateia", em busca da opinião pública, mas que no fim das contas, não vai ter coragem de apreciar a questão. O relatório em evidência foi divulgado na última quinta-feira (15) pelo pesquisador Matias Spektor. Assinado pelo então diretor da CIA, William Colby, o documento relata que Geisel não só liberava as execuções de "inimigos do regime", como as submetia a autorização do Palácio do Planalto (saiba mais aqui).
|